sexta-feira, 21 de outubro de 2011







Acordo com o romper do dia e a cama deixa de
servir-me; vão-se os sonhos contigo, o escuro que os
meus olhos mimam quando não estás, e sou obrigada a
arrastar o meu corpo durante impossíveis horas
(horas, tais, impossíveis de comparar com os
cinco tempos em que me sinto cega). E doem-me os
músculos da consciência por ter a consciência de que
não estás e de que o meu corpo tem uma vida própria, que a
saliva não é alimento suficiente e que tenho voz – uma tal que
não consigo perceber. Cada primeiro passo custa-me
duas consciências a menos que o segundo. Seguido do
terceiro. E depois do quarto. Somando-lhe o quinto,
desequilibrado. Arrastado. (…) O tempo é a nossa condição
fatal e assusta-me que os teus olhos sejam diferentes dos
meus e se habituem ao escuro, ao cego. Assusta-me que
me arraste e que me arrastes
contigo

3 comentários:

  1. letra a letra cativas e motivas , a cada palavra dás vida , e estas andam ás voltas e voltas na minha cabeça , mas não me deixam tonta mas sim consciente , que ainda há coisas boas , que ainda existem boas pessoas . e na realidade isso conforta-me , conforta-me encontrar um blog como o teu , mas acima de tudo conforta-me saber que existe uma pessoa como tu .
    há quem seja viciado em nicotina ou em álcool , outros em substâncias ilícitas , eu apenas sou viciada no teu doce mas real chá de caramelo .

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  2. Inês, beauty Nês...
    As drogas são tramadas e a vida nem sempre acontece como nos bons sonhos. Ainda agora, se assim fosse, tu estarias aqui por perto:) (as-saudades-tramam-me)
    O meu coração gosta de saber que gostas de me ler;) Um beijinho

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